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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Que "saia - justa"!

Olá amigos, existem  situações na vida que são tão complicadas, que agente as vezes chaga a pensar: -essas coisas só acontecem comigo! :((
Pois é, mas acontece com muita gente,  é a chamada "saia justa". Quem na vida nunca passou por situação tipo: "não é o que pare ser!"?  Quem nunca passou, é porque ainda vai  passar, pode crer!
 *-*Não Bastando o vexame,  logo aparece alguém na tentativa de amenizar as coisas,  e diz :- ta tudo bem essas coisas acontece, não se preocupe! *-*
Rsrsrs, ai você fica mudo e não consegue nem falar nada, rs (tem gente que fica até vermelho)  porque quanto mais se tentar explicar, mais enrolada vai ficar a situação. *-*

Então, Por conta disso resolvi postar hoje esse conto muito engraçado, que mostra exatamente como as coisas podem piorar  ainda mais  diante de uma "saia justa".
Vejam!! É um Conto de Monteiro Lobato

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O fígado Indiscreto (parte 1)

o Inácio era o rei dos acanhados. Pelas coisas mínimas, avermelhava, saía fora de si e permanecia largo tempo idiotizado. O progresso do seu namoro foi, como era natural, menos obra sua que da menina, e da família de ambos, tacitamente concertadas numa conspiração contra o celibato do futuro bacharel. Uma das manobras constou do convite que ele recebeu para jantar nos Lemos, em certo dia de aniversário familiar comemorado a peru. Inácio barbeou-se, laçou a mais famosa gravata, floriu de orquídeas a botoeira, friccionou os cabelos com loção de violetas e lá foi, de roupa nova, lindo como se saíra da forma naquela hora. Levou consigo, entretanto, para seu mal, o acanhamento. - e daí proveio a catástrofe... Lá, enquanto engoliam a sopa, teve tempo de voltar a si e arrefecer as orelhas. Mas não demorou muito no equilíbrio. A culpa aqui foi da dona da casa. Serviu-lhe dona Luiza, um bife de fígado sem consulta prévia. Esquisitice dos Lemos: comiam-se fígados naquela casa até nos dias mais solenes. Esquisitice do Inácio: nasceu com a estranha idiossincrasia de não poder sequer ouvir falar em fígado - seu estômago, seu esôfago e talvez seu próprio fígado tinham pela víscera biliar uma figadal aversão. E não insistisse ele em contrariá-los: amotinavam-se repelindo indecorosamente o pedaço ingerido. Nesse dia, mal dona Luiza o serviu, Inácio avermelhou de novo, e novamente saiu fora de si. Viu-se só, desamparado e inerme ante um problema de inadiável solução. Sentiu lá dentro o motim das vísceras; sentiu o estômago, encrespado de cólera, exigir, com império, respeito às suas antipatias. Inácio parlamentou com o órgão digestivo. Mostrou-lhe que mau momento era aquele para uma guerra intestina. Tentou acalmá-lo a goles de Clarete, jurando eterna abstenção para o futuro, Pobre Inácio! A porejar suor nas asas do nariz, chamou a postos o heroísmo, evocou todos os martírios sofridos pelos cristãos na era romana e os padecidos na era cristã pelos heréticos; contou um, dois e três e glup! Engoliu meio fígado sem mastigar. Um gole precipitado de vinho rebateu o empache. E Inácio ficou a esperar. De olhos arregalados, a revolução intestina. O calouro, entretanto, não deu fé da tagarelice; surdo às vozes do mundo, todo se concentrava nas vozes viscerais. Além disso, a tortura não estava concluída; tinha ainda diante de si a segunda parte do fígado engulhento. Era mister atacá-la e concluir de vez a ingestão penosa. Inácio engatilhou-se de novo e - um, dois, três: glup! Lá rodou, esôfago abaixo, o resto da miserável glândula. Maravilha! Por inexplicável milagre de polidez, o estômago não reagiu. Estava salvo Inácio. E como estava salvo, voltou lentamente a si, muito pálido, com o ar dos ressuscitados. Chegou a rir-se. Estava nessa doce beatitude, quando: - Não sabia que o senhor gostava tanto de fígado, disse-lhe dona Luiza, vendo-lhe o prato vazio - repita a dose. Fora de si outra vez, o pobre moço exclamou, tomado de pânico: - Não! Não! Muito obrigado! E não houve salvação! Veio para o prato de Inácio um novo naco - este formidável, dose dupla. Um criado estouvadão, que entrava com o peru, tropeçou no tapete e soltou a ave no colo de uma dama. Gritos, reboliço, tumulto. Num lampejo de gênio, Inácio aproveitou-se do incidente para agarrar o fígado e metê-lo no bolso. Salvo! Nem dona Luiza nem os vizinhos perceberam o truque - e o jantar chegou à sobremesa sem maior novidade.

 Monteiro Lobato.

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