Conheça os símbolos de identificação relacionados ao autismo...
Eles são formas diferentes de reação do sistema nervoso de uma pessoa autista diante de uma sobrecarga.
Embora sejam mais conhecidos no contexto do Transtorno do Espectro Autista (TEA), também podem ocorrer em outras condições.
Vou explicar com calma, porque entender isso ajuda muito a compreender o comportamento de crianças e adultos autistas.
É uma espécie de explosão involuntária diante de uma sobrecarga que ultrapassou a capacidade da pessoa de lidar com os estímulos.
* Ouve muitos ruídos ao mesmo tempo.
* Está em um ambiente muito movimentado.
* Recebe muitas informações ou ordens.
* Tem sua rotina alterada inesperadamente.
* Sente frustração, medo ou ansiedade.
* Não consegue comunicar o que está sentindo.
* Choro intenso.
* Gritos.
* Agitação.
* Jogar objetos.
* Bater ou se machucar.
* Tentar fugir do ambiente.
* Dificuldade de responder às pessoas.
Não é necessariamente birra, desobediência ou tentativa de chamar atenção. É uma reação involuntária à sobrecarga.
Aqui acontece praticamente o contrário do meltdown.
Em vez de exteriorizar a sobrecarga, a pessoa parece se desligar do ambiente.
É como se o organismo precisasse interromper temporariamente algumas respostas para tentar lidar com o excesso de estímulos.
* Ficar muito quieta de repente.
* Parar de falar.
* Não conseguir responder quando alguém chama.
* Ficar imóvel ou com olhar distante.
* Não conseguir tomar decisões simples.
* Procurar isolamento.
* Demonstrar cansaço extremo.
Uma criança pode parecer tranquila, mas estar enfrentando um sofrimento interno significativo.
O shutdown também não é necessariamente desinteresse, teimosia ou falta de educação. Autism Spectrum Australia (Aspect) +2
| Meltdown | Shutdown |
| -------------------------------- | ------------------------- |
| Explosão externa | Recolhimento interno |
| Choro e gritos | Silêncio |
| Agitação | Imobilidade |
| Pode jogar objetos | Pode não conseguir reagir |
| Dificuldade de controlar reações | Dificuldade de responder |
Os dois podem ser bastante desgastantes e exigir um período de recuperação.
* Manter a calma.
* Reduzir barulhos e estímulos.
* Afastar objetos perigosos.
* Evitar gritar ou repreender.
* Não tentar dar longas explicações.
* Garantir a segurança da criança.
* Não forçar a criança a falar.
* Não exigir respostas imediatas.
* Não obrigar contato visual.
* Oferecer um ambiente tranquilo.
* Respeitar o tempo de recuperação.
* Permitir formas alternativas de comunicação.
Em ambos os casos, é importante não cercar a criança de pessoas nem insistir em contato físico quando ela não o tolera.
Quando esses episódios são frequentes, é importante investigar:
* Quais estímulos desencadeiam as crises.
* Como está a comunicação da criança.
* Se existem dificuldades sensoriais.
* Como está o sono.
* Se há dores ou desconfortos que ela não consegue comunicar.
* Se o ambiente familiar e escolar está respeitando suas necessidades.
O acompanhamento deve ser individualizado, com profissionais que conheçam o desenvolvimento infantil e o autismo.
Sim! Meltdowns e shutdowns não são exclusivos das crianças.
Um adulto autista pode passar o dia inteiro tentando se adaptar às exigências sociais, profissionais e ambientais e, ao chegar em casa, apresentar uma crise ou simplesmente não conseguir mais conversar, interagir ou realizar tarefas.
Isso também pode estar relacionado ao chamado autistic burnout, ou esgotamento autista.
Uma criança que grita nem sempre está fazendo birra.
Uma criança que se cala nem sempre está tranquila.
Às vezes, o comportamento que os adultos interpretam como desobediência é, na verdade, uma manifestação de sofrimento que a criança ainda não consegue explicar.
Precisamos aprender a compreender antes de julgar.
Posso explicar como ele se diferencia do meltdown e do shutdown, especialmente em crianças pequenas.
O burnout autista é um estado de esgotamento físico, mental e emocional que pode surgir depois de um longo período de estresse, sobrecarga sensorial e esforço contínuo para lidar com situações que ultrapassam a capacidade de adaptação da pessoa autista.
Não é simplesmente cansaço. É um esgotamento que pode comprometer atividades que antes eram realizadas normalmente.
Uma pesquisa publicada em 2020, liderada pela pesquisadora Dora Raymaker, ajudou a estabelecer uma definição científica para essa experiência, a partir dos relatos de pessoas autistas.
* Suportar uma sala de aula barulhenta.
* Conviver com muitas pessoas.
* Lidar com mudanças inesperadas.
* Compreender instruções e regras sociais.
* Controlar reações sensoriais.
* Adaptar seu comportamento às expectativas dos adultos.
* Tentar comunicar necessidades que nem sempre são compreendidas.
Quando essas exigências se acumulam sem descanso e apoio adequados, pode ocorrer um esgotamento.
Entre os fatores associados estão a sobrecarga sensorial, as exigências sociais, o esforço de mascarar características autistas e as mudanças de rotina. a guide for professionals +1
* Cansaço excessivo, mesmo depois de descansar.
* Aumento de crises de choro e irritabilidade.
* Maior sensibilidade a sons, luzes e toques.
* Dificuldade de concentração.
* Perda temporária de habilidades que a pessoa já dominava.
* Isolamento e menor interesse em interações.
* Dificuldade de comunicação, inclusive perda temporária da fala em algumas situações.
* Maior dificuldade para realizar tarefas cotidianas.
Uma observação importante: nem toda regressão ou mudança de comportamento significa burnout. É necessário investigar outras possíveis causas, inclusive problemas de saúde.
Essa é uma questão que merece atenção especial.
Em crianças pequenas, o esgotamento pode aparecer de maneiras que os adultos interpretam equivocadamente como problemas de comportamento.
* Uma criança que antes gostava de brincar começa a evitar brincadeiras.
* Uma criança que falava algumas palavras passa a falar menos.
* Uma criança que tolerava determinados ambientes começa a apresentar crises.
* Uma criança que conseguia realizar pequenas tarefas passa a depender mais dos adultos.
* Uma criança que frequentava a escola tranquilamente começa a apresentar sofrimento intenso para ir às aulas.
Esses sinais merecem atenção, principalmente quando representam uma mudança em relação ao funcionamento habitual da criança.
Há evidências e orientações especializadas que apontam a possibilidade de burnout em crianças, embora a pesquisa específica nessa faixa etária ainda seja limitada.
O primeiro passo é parar de aumentar as exigências sobre uma criança que já está sobrecarregada.
* Reduzir estímulos sonoros e visuais.
* Respeitar a necessidade de isolamento e descanso.
* Evitar cobranças excessivas.
* Não forçar interações sociais.
* Respeitar formas alternativas de comunicação.
* Rever as exigências escolares.
* Preservar atividades que proporcionem segurança e prazer.
* Procurar avaliação profissional para investigar as mudanças observadas.
O objetivo não é fazer a criança parecer menos autista. É proporcionar condições para que ela tenha qualidade de vida e consiga desenvolver suas habilidades sem viver constantemente no limite.
| Condição | O que acontece |
| -------- | --------------------------------------------------------------------------- |
| Meltdown | Reação intensa e externa à sobrecarga |
| Shutdown | Recolhimento e redução das respostas ao ambiente |
| Burnout | Esgotamento prolongado, com possível redução da capacidade de funcionamento |
Uma pessoa em burnout pode apresentar episódios de meltdown e shutdown com maior frequência.
É importante entender que são fenômenos diferentes, embora possam estar relacionados.
Muitas vezes, queremos ensinar a criança autista a se adaptar ao mundo, mas esquecemos que o mundo também precisa se adaptar às necessidades dela.
Uma criança não deveria precisar chegar ao esgotamento para que os adultos percebam que alguma coisa está errada.
O acolhimento, a compreensão das necessidades sensoriais e o respeito aos limites não são privilégios. São partes fundamentais do cuidado.
Minha sugestão: esses três temas merecem artigos próprios, porque ajudam familiares, professores e cuidadores a reconhecer situações que muitas vezes são confundidas com birra, desobediência ou falta de limites.
E há uma mensagem que considero fundamental:
Antes de cobrar uma criança autista por aquilo que ela não consegue fazer, precisamos compreender o que está dificultando sua capacidade de fazer. ❤️
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